“Ninguém consegue derrubar uma mulher com um ideal.”

Conheça a trajetória de Sônia Corazza, a cientista chefe que imprime inovação e criatividade a todas as nossas fórmulas.



Sônia Corazza é daquelas mulheres inspiradoras que enchem a gente de orgulho. Além de ser a nossa cientista-chefe, ela é engenheira química especializada em cosmetologia, atua como pesquisadora há mais de 40 anos e é autora do livro “Aromacologia: uma ciência de muitos cheiros”, usado como referência pelas mais renomadas universidades brasileiras. Conheça um pouco mais dessa mulher incrível na conversa que tivemos com ela. 

Ser cientista sempre foi um desejo?

Conta a minha mãe que, desde que eu comecei a andar na vida, eu andava pelo quintal misturando coisas, fazendo fórmulas e tapando buracos na parede. Mas a primeira coisa que eu quis ser na vida – e com quase 62 anos ainda quero ser – é bailarina. Eu acho maravilhoso dançar, eu acho uma coisa linda demais. Mas acho que eu tinha que ser formuladora mesmo. Sou muito feliz com isso!

E como você decidiu que faria engenharia química?

Eu sempre fui louca pelo planeta e queria fazer geologia, estudar os fósseis, como as coisas evoluíram e tudo. Quando eu cheguei na USP pra fazer o vestibular, tinha 50 vagas. Eu morri de medo e pensei “eu não vou entrar”. Aí eu vi engenharia e tinha 300 vagas, aí eu falei “uma dessas é minha!”. Eu tinha que entrar numa faculdade assim. Daí eu vi que a Engenharia Química era mais próxima daquilo que eu tinha dessa coisa com a Terra, o planeta.

Quando você começou a graduação, tinha muitas mulheres além de você?

Rá! 6 mulheres e 294 homens. Durante o primeiro ano inteiro, a gente assistiu aula com um cartaz escrito “mulher” nas costas. Foi difícil porque é um mundo muito masculino.

Como a cosmetologia entrou na sua vida?

Foi acontecendo: da MaxFactor, como estagiária, fui pra Avon (também como estagiária). Depois fui a primeira funcionária que foi contratada pra fazer um trabalho novo na Natura, que ainda era muito pequenininha e se chamava YGA. Tava se formando aquilo lá, aí foi acontecendo.

Você encarou algum desafio específico por ser mulher?

O tempo todo! Apesar da indústria cosmética ter muita mulher na linha de produção, de acabamento, quem faz o cosmético dentro da fábrica sempre é o homem. Os homens sempre estiveram nos cargos de chefia, as promoções sempre foram dadas para os homens. Me sentia muito marginalizada pelos homens do nosso setor.

Qual foi o momento mais marcante da sua carreira? 

Foi quando o dono da Natura, o Sr. Luiz Seabra, que eu amo até hoje, me promoveu. Porque eu fui a primeira mulher a ser promovida pra um cargo de chefia dentro da empresa. Eu fiquei muito contente, foi uma ascensão, eu virei gerente de repente. Foi como abrir caminho pra todas as que vieram depois.

Quem são as mulheres que te inspiram?

Olha, 37% da mulheres no Brasil são responsáveis por trazer comida pra casa. Essa mulheres me inspiram, sabe? Gente de verdade. Não é a fulana, a sicrana, não. É gente de verdade que sai todo dia, pega trem, ônibus, metrô, que traz dinheiro pra casa, sustenta todo mundo e ainda tem tempo de passar um batonzinho, pôr um vestido florido e dançar. São essas mesmo, de verdade.

Agora, uma coisa que a gente tem a maior curiosidade: como cientista chefe da Riô, qual a sua rotina de cuidados com a pele?

Eu testo absolutamente tudo, mas a minha rotina cosmética é muito da limpeza, do bem-estar… Capricho muito na limpeza e numa hidratação maravilhosa pra fazer massagem antes de dormir e acabou! A hidratação precisa ser poderosa, até porque eu já tenho pele envelhecida. Já tomei muito sol na vida.


Você acha que a beleza e a saúde estão interligadas?

Eu acredito que ninguém é bonito se não for saudável, pra resumir bem. Se você não faz a sua parte, não adianta nada. É preciso uma boa alimentação, atividade física, sono, controle do estresse – pode ser meditação, pode ser o que você quiser – e rotina cosmética. Se você conseguir juntar e equilibrar tudo isso, daí a gente chega nessa beleza vinda da saúde. Ninguém é bonito se não for saudável, isso eu falo sempre. Eu faço atividade física todo dia, 7 dias por semana – 4 eu corro e 3 eu pedalo. Normalmente, acordo às 5h pra fazer minha atividade física, daí eu faço treinamento funcional todo dia. Exercício é a única coisa que segura minha cabeça, a única!

Como você definiria o melhor e o pior do universo da beleza?

O melhor é essa questão da saúde: o cosmético é a nossa segunda pele mesmo, é a nossa ferramenta de defesa contra um ambiente cada vez mais inóspito, que a gente mesmo criou. 

E o pior é essa vaidade fútil, essa beleza pasteurizada. Gente, coitada da mulher! A mulher não pode ficar velha, não pode ter ruga, não pode ter mancha, não pode ter flacidez… É opressora essa beleza mentirosa, a qualquer preço, que faz as pessoas ficarem até caricatas, sabe? Eu acho que essa tirania também é machista.
 
 

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